quarta-feira, 1 de setembro de 2010

História e tradição dos Açores

A geografia dos AçoresO arquipélago dos Açores é composto por nove ilhas e alguns ilhéus inabitados. Encontra-se dividido por grupos, Grupo Oriental que pertecem as ilhas de Santa Maria e São Miguel, o Grupo Central que pertencem as ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e o Faial; e o Grupo Ocidental que pertencem as ilhas Flores e o Corvo. O arquipélago situa-se no Atlântico norte, a 1500 km a oeste de Lisboa e a 3400 km a leste de Nova Iorque.
O interior das ilhas é muito acidentado, registando, a maior altitude de todo o território nacional, na montanha do Pico com 2351m, na ilha do Pico. 
Todo o Arquipélago é de origem vulcânica, as erupções históricas situam-se principalmente nas ilhas de São Miguel, Terceira, São Jorge, Pico e Faial. O  sistema vulcânico mantém-se activo em várias ilhas, sendo aproveitado como fonte de energia geotérmica. Algumas crateras de vulcões extintos formaram lagoas, sendo a mais conhecida a Lagoa das Sete Cidades, na ilha de São Miguel.
Os Açores situam-se numa zona de forte actividade sísmica, tendo já sofrido vários abalos, o sismo mais recente ocorreu a 9 de Julho de 1998, sentido em seis das nove ilhas, tendo atingido a magnitude de 5,8 da escala de Richter.
O clima do arquipélago é temperado marítimo, oscilando a temperatura média entre cerca de 14 ºC no Inverno e 25 ºC no Verão.
Na década de 60, muita da população partiu em forte fluxo migratório em busca de melhores condições de vida, para Portugal continental e para os Estados Unidos da América, Canadá e Brasil. Em resultado desta emigração, verificou-se um decréscimo da população, bem como o seu envelhecimento. Recentemente, tem havido um aumento da taxa de natalidade, uma vez que as ilhas oferecem já maiores oportunidades de modo a existir uma maior capacidade de fixação das novas gerações.
Tal como o arquipélago da Madeira, os Açores são uma região autónoma de Portugal, o que lhes permite o privilégio de uma administração com órgãos regionais próprios, embora dependentes, em certos aspectos, das instituições nacionais com sede em Lisboa.

A históriaAs primeiras referências às ilhas dos Açores são relatadas em documentos portugueses da primeira metade do século XV. O povoamento destas ilhas terá começado por volta desta data, não só com portugueses, vindos principalmente do Algarve e do Alentejo, mas também com flamengos. As ilhas foram dominadas por capitães-donatários que eram responsáveis pela exploração dos recursos naturais. Ao longo da sua história, registaram-se diversos movimentos de emigração. 
Os Açores tiveram um papel de destaque em vários momentos da nossa História, como é o caso de no final do século XVI ter sido o último ponto de Portugal a ser dominado pelas forças filipinas. A sua importância estratégica manteve-se até ao século actual, durante a Segunda Guerra Mundial instalou-se bases dos Aliados, que, ainda hoje, os EUA  continuam a usufruir desta localização.
Em 1983 e 2004 a UNESCO reconheceu Angra do Heroísmo e a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico como Património Mundial, e em 2007 classificou as ilhas do Corvo e Graciosa como Reservas da Biosfera.

Tradições
As festas açorianas caracterizam-se pelo seu forte carácter religioso, destas destacam-se as festas do Espírito Santo que se estendem a todas as ilhas. Estas festas foram levadas para os Açores pelos primeiros colonos, e terão sido fruto da devoção que a Rainha Santa Isabel dedicava ao Divino Espírito Santo. A ocorrência de catástrofes naturais, a dureza da vida e o isolamento das ilhas aliados à questão dos milagres do Espírito Santo contribuíram para que o culto se desenvolvesse e ganhasse raízes.
Em São Miguel, realizam-se as festas do Senhor Santo Cristo do Milagres (uma das mais importantes) com lugar na Igreja do Convento de Nossa Senhora da Esperança, no quinto domingo a seguir à Páscoa. O seu ponto alto é a procissão em que se transporta a imagem do Senhor Santo Cristo, num andor decorado com flores. Também merecem destaque a festa em honra ao Senhor Bom Jesus(a segunda maior festa), na freguesia de São Mateus na ilha do Pico; as festas São-Joaninas, durante as quais se pode assistir a touradas à corda e a esperas de gado na ilha Terceira. Na cidade da Horta, ilha doFaial, têm lugar as Festas da Semana do Mar.
O folclore açoriano tem como nome mais conhecido Chamarritas que inclui alguns elementos característicos como a viola de arame, os ferrinhos e os tambores. Na tradição musical, destaca-se a lira, canção que se pode ouvir nas ilhas Terceira, São Jorge, Faial e Flores.

O artesanato ganha diferentes expressões conforme as ilhas: cerâmicas de Lagoa (São Miguel), bordados e rendas (São Miguel, Terceira, Pico e Faial), colchas de tear (São Jorge e Terceira), trabalhos em miolo de figueira, escamas de peixe, palha de trigo (Faial), gravações em dentes e ossos de mandíbulas de cachalote (Pico, Terceira, Faial e São Miguel), capachos feitos de folha de milho e espadana, flores de escamas de peixe, papel e pano, tecelagem de mantas e colchas, trabalhos em vime, objectos de cedro, olaria, trabalhos em ráfia, conchas do mar e madeira.

Economia
Apesar do mar ser uma constante presença, a actividade das populações é predominantemente rural. Em todo o arquipélago, a pecuária é o principal recurso económico, aproveitando-se as condições naturais que favorecem o desenvolvimento de pastagens. Na agricultura, destacam-se as produções de milho, trigo, beterraba açucareira, ananases e vinho. Apesar da riqueza dos mares dos Açores, a pesca não se encontra muito desenvolvida, sendo praticada por pequenos grupos. O turismo é uma actividade que, nas últimas décadas, tem assumido um papel fundamental no equilíbrio socioeconómico do arquipélago, revelando-se um importante factor de desenvolvimento e combate ao isolamento insular.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O que é a Cooperativa Desafios da Montanha?

Desafios da Montanha é uma cooperativa com o objectivo principal tentar suster a qualidade de vida da população, nomeadamente a da ilha do Pico.
Esta cooperativa teve início a 5 de Fevereiro de 2009 (relativamente recente), tendo a sua sede provisória na freguesia de São João, Rua da igreja, nº8-A, Concelho de Lajes do Pico. O seu atendimento situa-se no Centro de Informação do Parque florestal da mesma freguesia.

Tem ainda como objectivo valorizar as heranças culturais e pretende-se, no que toca ás comunidades da ilha, vivificar a economia familiar tradicional em todas as suas vertentes, com a adaptação á actualidade em que vivemos de modo a promover-se a divulgação dos seus produtos no local bem como, no exterior.

Um primeiro aspecto a ter-se em consideração relaciona-se com o espaço produtivo e a rentabilização do mesmo.
Os proprietários, na sua maioria envelhecidos ou emigrados, deparam-se com o problema da mão-de-obra, cujo preço se descolou da rentabilidade dos terrenos, por outro lado os jovens não são familiarmente ensinados para dominar os espaços que herdam das gerações anteriores. Por isso, a Cooperativa sentiu necessidade de investir em recursos humanos. Há que haver a necessidade de cativar-se o gosto dos jovens pela agricultura, dando formação adequada com especial atenção para a agricultura biológica ou tendencialmente biológica, que cada vez mais faz parte do nosso dia-a-dia.

Tenciona-se aprofundar a complementariedade da agricultura com a criação de animais que sejam alimentados de forma tradicional. Assim, além de valorizar-se as pastagens naturais para a criação de bovinos, tem-se a intenção de estimular a criação biológica dos animais domésticos que faziam parte da economia familiar nomeadamente, vacas da porta, porcos, cabras e galinhas. A própria cooperativa propõe-se a formar quintas pedagógicas, onde os animais poderão ser acompanhados no seu crescimento por visitantes, principalmente pelos mais jovens, ao mesmo tempo que é explorada a sua rentabilidade em moldes tradicionais.

Para a cooperativa, um dos sectores em que a intervenção parece mais urgente é do artesanato no ramo alimentar. Não esquecendo que além do clima e do exercício físico foi o tipo de alimentação que certamente contribuiu para a qualidade de vida das gentes do Pico ao longo dos séculos ( a maior longevidade conhecda para os séculos XVIII e XIX no mundo ocidental). Tenciona-se, ainda, difundir nos postos de venda desta cooperativa componentes para dietas alimentares mais saudáveis.
Estimular, enriquecer e divulgar o artesanato-peças, nomeadamente as rendas artísticas (pelas quais as mulheres do Pico receberam recentemente um prémio internacional), os bordados, a tecelagem, a cerãmica, os trabalhos em madeira, em escamas de peixe entre outros, fazem também parte dos objectivos da cooperativa.
Outro objectivo, não menos importante, é o fomento da cultura e da inovação em sentido amplo com a programação de várias publicações numa mini-série Pico-Poética e numa série Ciência, projecta-se estimular a criação de Museus Rurais, concretamente um Museu de Rendas e um Museu do Espírito Santo.

Desafios da Montanha

Desafios da montanha é uma cooperativa situada na freguesia de São João pertencente ao Concelho das Lajes do Pico.